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Escolas de Excelência na Itália: Scuola Normale, Sant'Anna e Outras

Por Vinicius Capelloto · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 8 min de leitura

Brasão dos Medici esculpido na fachada do Palazzo della Carovana, sede da Scuola Normale Superiore, em Pisa

A Itália tem um tipo de instituição que quase não existe no Brasil: as escolas superiores de excelência (scuole superiori). Quem passa no concurso faz uma graduação comum numa universidade pública e, ao mesmo tempo, segue um programa extra, mais puxado, dentro da escola — com moradia, refeições e taxas pagas. A mais famosa é a Scuola Normale Superiore de Pisa, fundada por Napoleão em 1810. O concurso é dos mais difíceis da Itália, mas é aberto a qualquer nacionalidade.


Como Funciona uma Escola de Excelência

  • Duas matrículas: o aluno (allievo ordinario) cursa uma graduação normal na universidade parceira — Pisa, Florença, Pavia, Nápoles ou Catania — e, em paralelo, os cursos, seminários e provas da escola.
  • Tudo pago: as escolas oferecem moradia nos seus colégios, refeições e isenção ou reembolso das taxas universitárias, além de bolsas ou contribuições em dinheiro.
  • Exigência alta: para manter a vaga, é preciso passar em todas as provas no prazo, com nota mínima em cada uma e média alta — em geral, pelo menos 24/30 em cada prova e média de 27/30.
  • Diploma extra: ao terminar, o aluno recebe o diploma da universidade e o da escola.
Não confunda com as bolsas DSU: a bolsa DSU depende de renda e vale para qualquer aluno de universidade pública; a vaga numa escola de excelência depende só do concurso.

Scuola Normale Superiore (Pisa)

A Scuola Normale Superiore (SNS) é a mais antiga e mais conhecida. Tem três áreas: Letras e Filosofia e Ciências, em Pisa, e Ciências Político-Sociais, em Florença. Os alunos se matriculam na Università di Pisa (ou na Università di Firenze, na área político-social).

O concurso de 2026/27

  • Vagas: 60 no primeiro ano da graduação (28 em Letras e Filosofia, 32 em Ciências) e 22 no primeiro ano do nível de mestrado.
  • Quem pode: qualquer nacionalidade, com diploma de ensino médio obtido a partir do ano letivo 2024/25 (ou a obter até 30 de setembro de 2026).
  • Provas: escritas e orais. Podem ser feitas em italiano ou inglês — e também em francês, em Letras. Em Ciências, há uma pré-seleção pelo TOLC, mas quem tem diploma estrangeiro e escolhe fazer as provas em inglês não precisa dele.
  • Prazo: inscrição online, em italiano ou inglês, até 30 de julho de 2026.
  • O que o aluno recebe: frequência gratuita, moradia nos colégios da escola (obrigatória e gratuita), refeições gratuitas e uma contribuição anual por faixa de ISEE, que inclui o reembolso das taxas da universidade. Quem é de fora da União Europeia pode pedir reembolso de até €1.000 dos gastos de mudança.
  • Para manter a vaga: nota mínima de 24/30 em cada prova e média de pelo menos 27/30.
Mesmo fazendo o concurso em inglês, a banca pode verificar na prova oral se o seu italiano é suficiente para acompanhar as aulas — e a graduação na Università di Pisa é, em geral, em italiano.

Scuola Superiore Sant'Anna (Pisa)

A Sant'Anna é a outra escola de excelência de Pisa, mais voltada às ciências aplicadas e sociais. Os alunos também fazem a graduação na Università di Pisa.

  • Vagas em 2026/27: 60 no primeiro ano — 29 em Ciências Sociais (Economia e Gestão, Ciências Políticas e Direito) e 31 em Ciências Experimentais e Aplicadas (Agrárias e Biotecnologia Vegetal, Engenharia Industrial e da Informação, e Medicina) —, mais 18 no nível de mestrado.
  • Provas: pré-seleção pelo TOLC (exceto em Medicina), provas escritas e provas orais em Pisa, em setembro.
  • Para estrangeiros: quem tem diploma estrangeiro e não é nativo em italiano pode fazer o CEnT-S, o teste em inglês do CISIA, e precisa de pelo menos 30 de 55 pontos. Veja como funciona no nosso guia do CEnT-S.
  • Prazo: até 30 de julho de 2026.
  • O que o aluno recebe: moradia e refeições gratuitas, além de apoio para pesquisa e viagens.

IUSS Pavia

O IUSS (Istituto Universitario di Studi Superiori) funciona junto com a Università di Pavia e com os tradicionais colégios de mérito da cidade, como o Borromeo e o Ghislieri.

  • Vagas em 2026/27: 30 no primeiro ano — 15 em Ciências Humanas e da Vida e 15 em Ciências, Tecnologias e Sociedade.
  • Quem pode: qualquer nacionalidade, com diploma de ensino médio com nota mínima equivalente a 80/100 e menos de 23 anos em 2026.
  • Provas: duas escritas e duas orais; em 2026, as escritas foram em 3 de setembro, em Pavia, e a inscrição (gratuita) ia até 28 de agosto.
  • O que o aluno recebe: cursos gratuitos e €5.000 por ano para o custo do colégio. Atenção: é preciso passar também no concurso de um dos colégios de mérito (Borromeo, Ghislieri, Nuovo, Santa Caterina, Volta ou Cairoli).

Scuola Superiore Meridionale (Nápoles)

A mais nova das grandes escolas, criada junto com a Federico II, de Nápoles, onde os alunos fazem a graduação.

  • Vagas em 2026/27: 40, em áreas como Matemática, Física e Engenharia; Ciências Moleculares; Global History and Governance; e Arqueologia.
  • Quem pode: qualquer nacionalidade, com diploma de ensino médio com nota equivalente a pelo menos 85/100, nascido depois de 31/12/2005, com italiano e inglês suficientes.
  • Provas: escritas e orais, em italiano — em Ciências Moleculares e em Global History and Governance, podem ser em inglês. Em 2026, a inscrição foi até 4 de setembro e as provas escritas, em 9 e 10 de setembro, em Nápoles.
  • O que o aluno recebe: moradia (em quarto duplo, obrigatória) e refeições gratuitas, bolsa de €1.500 por ano e isenção das taxas da Federico II (menos a taxa regional e o selo).
  • Para manter a vaga: média de 27/30 e nota mínima de 24/30 em cada prova.

Scuola Superiore di Catania

Ligada à Università di Catania, na Sicília. Em 2026/27, ofereceu 20 vagas no primeiro ano (10 em Ciências Experimentais e 10 em Humanidades e Ciências Sociais), para quem concluiu o ensino médio a partir do ano letivo 2024/25 e nunca se matriculou numa universidade. Os aprovados moram e fazem as refeições de graça no colégio Villa San Saverio. A inscrição foi até 1º de setembro, com provas escritas em 15 e 16 de setembro e orais em 18 de setembro de 2026.


Comparativo 2026/27

EscolaUniversidade parceiraVagas (1º ano)Prazo 2026Provas em inglês?
Scuola NormalePisa / Florença6030 de julhoSim
Sant'AnnaPisa6030 de julhoCEnT-S na pré-seleção
IUSS PaviaPavia3028 de agostoNão informado
Scuola Superiore MeridionaleFederico II (Nápoles)404 de setembroEm algumas áreas
Scuola Superiore di CataniaCatania201º de setembroNão informado

Outras universidades têm programas de excelência internos para os próprios alunos, como o Collegio Superiore da Università di Bologna, a Scuola Galileiana da Università di Padova e a Scuola Superiore di Studi Avanzati da Sapienza.

E para o doutorado?

Há também escolas só de doutorado, com bolsa para os aprovados: a SISSA, em Trieste; a IMT Lucca, com moradia e refeições grátis; o GSSI, em L'Aquila, que aceita graduação estrangeira de quatro anos; e o European University Institute, perto de Florença, com bolsas especiais abertas a brasileiros. Elas não têm graduação — o acesso é depois do mestrado (ou, no GSSI, de uma graduação longa).


Vale a Pena para um Brasileiro?

Para quem é muito bom aluno e está terminando o ensino médio, é uma das formas mais baratas de estudar na Itália: com moradia, comida e taxas pagas, sobra só o custo pessoal. Mas é preciso ser realista:

  • São poucas vagas — dezenas por escola, disputadas pelos melhores alunos da Itália.
  • As provas cobram conteúdo no nível do ensino médio italiano (matemática e física, ou redação e humanidades), e a prova oral é exigente.
  • O italiano é indispensável, mesmo quando o concurso aceita o inglês: a graduação na universidade parceira costuma ser em italiano.
  • O calendário é no fim do verão europeu (julho a setembro), com provas presenciais na Itália — é preciso estar lá.

Se não passar, você ainda pode fazer a mesma graduação na universidade pública, com a bolsa DSU por renda, e tentar de novo onde o edital permitir.

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Perguntas Frequentes

Brasileiro pode entrar na Scuola Normale ou na Sant'Anna?

Sim. Os concursos são abertos a candidatos de qualquer nacionalidade. Na Scuola Normale, as provas podem ser feitas em inglês (e em francês, na área de Letras), e quem tem diploma estrangeiro e escolhe o inglês não precisa do TOLC. Na Sant'Anna, quem tem diploma estrangeiro e não é nativo em italiano pode fazer o CEnT-S, em inglês, com pelo menos 30 de 55 pontos. Em todas, é preciso ter italiano suficiente para acompanhar as aulas.

Quanto custa estudar numa escola de excelência?

Para quem passa, quase nada. Na Scuola Normale, a frequência é gratuita, a moradia nos colégios e as refeições também, e a escola paga um contributo que reembolsa as taxas da universidade. Na Scuola Superiore Meridionale, há moradia e refeições grátis, isenção das taxas da Federico II e bolsa de €1.500 por ano. No IUSS Pavia, a escola dá €5.000 por ano para o custo do colégio.

Eu faço uma faculdade normal junto?

Sim. O aluno da escola de excelência se matricula numa graduação comum da universidade parceira (Pisa, Florença, Pavia, Nápoles ou Catania) e, ao mesmo tempo, segue os cursos extras da escola.

O que acontece se eu tirar notas baixas?

Perde a vaga. Na Scuola Normale e na Scuola Superiore Meridionale, por exemplo, é preciso tirar pelo menos 24/30 em cada prova e manter média de pelo menos 27/30.

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